Sentada, em uma "imaginária" CADEIRINHA DE ARRUAR (liteira), relatarei,à luz das recordações da família, fatos que compõem meu universo doméstico....universo este, repleto de personagens que participaram e contribuíram para a História do Ceará intelectual, social e político. Percorrerei a minha terra, desvendando as suas origens e o seu progresso...
O "A" e o "B", EM PROVOCAÇÕES 116... Nota: Os dois vídeos a seguir foram feitos no ano 2.000, quando B. de Paiva (meu irmão mais velho), estava com 68 anos de idade e passava grande temporada em Fortaleza. No ano seguinte, retornou à Capital Federal, onde passou a dirigir o Teatro Nacional de Brasília. No bloco 1, o texto inicial dito pelo entrevistador da TV CULTURA de São Paulo, ABUJAMRA, é de JEAN PAUL SARTRE...só então ele entrevista o B. e encerra com "provocações" de rua: um homem e uma quase menina... APRECIE:
No bloco 2, abaixo, Antônio ABUJAMRA prossegue entrevistando B. de Paiva, com provocações, finalizando o programa com um formidável texto de MARTHA MEDEIROS. Vale à pena, assistir até ao final.
Na postagem anterior, de 1\11\2012, apresentei o José Maria (B. de Paiva) 12 anos depois dessa sua temporada de dois anos em Fortaleza, quando ocasião em que dirigiu algumas peças teatrais, recuperou o Teatro Universitário da UFC, criado por ele em 1960, além de dirigir o Colégio de Direção do Instituto Dragão do Mar.
Dá para se perceber,nessas últimas postagens, a grande admiração e "orgulho" que sinto por esse mano "véi"...(velho, em "cearensês).Tenho uma enorme esperança de vê-lo de volta à terra que o viu nascer...para, juntos, continuarmos a realizar sonhos futuros com "matéria prima" do passado...à moda de um estilingue (baladeira, em cearensês), como ele fala na entrevista...
Para quem não conhece uma "baladeira"(Imagem da net).
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Até a próxima semana....................um abraço!
No último dia dois, "desliguei-me" do computador, concedendo-me uma "pausa", como que me libertando da rotina que há muito vinha mantendo, por força das obrigações domésticas e do trabalho de servidora pública, sempre na Educação, por mais de quatro décadas. Para quem vem acompanhando os meus escritos, Da Cadeirinha de Arruar, sabe bem a que me refiro, nestas minhas primeiras palavras... Fui à Brasília, para comemorar, junto ao meu irmão mais velho, José Maria ( Zemaria, para mim, B. de Paiva, ou, simplesmente B., para muitos), que completou 80 anos de idade, no dia 6 de novembro em curso. Como eu completara 70 anos, em 16 de outubro passado, fizemos alguns brindes, entre parentes e amigos, lá, na Bela Capital Federal... - Foram momentos de pleno contentamento, acreditem! Nos últimos 20 dias, "mergulhei", de corpo e alma, no imenso acervo que o mano possui, num casarão cedido por um amigo cearense, num sítio bem afastado do mais que cinquentenário "Plano Piloto". Já está bastante organizado, o tal acevo, que "batizamos" com o nome provisório de "Museu B. de Paiva". Nestes dias passados, desta minha badalada "pausa", dei um pouquinho da minha colaboração arquivística, organizando, a pedido do B., uma grande quantidade de fotos, tanto da nossa família, quanto de suas produções em teatro, cinema e televisão e mais dos cargos que ocupou por este Brasil afora, em diversos setores culturais... Para quem já me conhece, é possível imaginar o tamanho do prazer que esta "bendita pausa" me proporcionou.
José Maria Bezerra Paiva, em foto recente, junto ao seu acervo,
reunido ao longo de 65 anos, dos seus 80 de vida, dedicados à Cultura
e à Arte,especialmente às Artes Cênicas, iniciada aos 15 anos de idade,
no quintal de nossa casa, à Rua Barão de Aratanha, no centro de Fortaleza...
Retornei ontem de Brasília, já com a promessa de retornar outras vezes, para trabalharmos juntos, o mano B. e eu, na organização de de seu "museu", que também faz parte da minha história. Confesso agora, a quem me acompanha nesta "cadeirinha", que meu maior sonho é trazer o "museu" com o seu dono, de volta à terra: Fortaleza, é o lugar ideal, para abrigá-los...aqui, é o "berço" de todos os sonhos, dos que foram realizados e dos que ainda são sonhados! Em Fortaleza: Chegado à Fortaleza, antes mesmo de abrir as malas, abri as correspondências acumuladas no escaninho. De todas, a que mais me deixou feliz foi um livro enviado por um potiguar, meu querido amigo ("blogueiro", genealogista...), Ormuz Barbalho Simonetti:
Capa do livro "A Praia da Pipa do tempo dos meus avós", do jornalista pesquisador, historiador, genealogista, Ormuz Barbalho Simonetti (um primor!)
A dedicatória do autor, para mim, emocionou-me sobremaneira. Na obra, "A Praia da Pipa do tempo dos meus avós" ,Ormuz reuniu trinta de suas crônicas, já publicadas no seu blog "Genealogia e História" ,(www.ormuzsimonetti.blogspot.com.br), e no jornal "Tribuna do Norte", de Natal. A Praia da Pipa é uma das mais belas do litoral sul do Rio Grande do Norte. A poucos quilômetros dali, fica a Barra do Cunhaú, junto à Vila- Flor, no município de Canguaretama, de onde emigraram para o Ceará, minha bisavó paterna, filhos e enteados, depois de ter o marido assassinado, em 1842, e cuja "saga" da família (Paiva),já publiquei nestas páginas da "Cadeirinha de Arruar"...
Praia da Pipa, no litoral sul do Estado do Rio Grande do Norte, no
Nordeste Brasileiro. (Google).
Praia da Pipa, de rara beleza.
Quero aqui desejar imenso sucesso, ao amigo Ormuz Simonetti, indicando aos que aqui comparecem, o seu formidável blog, acima citado, como também uma visita à Praia da Pipa. Enquanto aguardam a oportunidade de lá chegarem, busquem no youtube vídeos da bela praia e uma entrevista recente, com Ormuz, sobre o lançamento de seu super interessante livro "A Praia da Pipa do tempo dos meus avós".
Para concluir, trago um vídeo, com uma música, cuja letra é relembrada por Ormuz Simonetti, na crônica " Saudosas Lembranças 1", do seu livro, da página 89 à página 93. "João Valentão", de Dorival Caymmi, também faz parte de minhas saudosas lembranças. Nesse vídeo,"João Valentão" é interpretada por Nana Caymmi, filha do compositor.
.........
(...) É quando o sol vai quebrando,
lá pra o fim do mundo pra a noite chegar
É quando se ouve mais forte o ronco das ondas na beira do mar
É quando o cansaço da vida, da lida obriga João se sentar
É quando a morena se enrosca,
se chega pro lado querendo agradar
Se a noite é de lua, a vontade é contar mentiras, é se espreguiçar
Deitar na areia da praia que acaba onde
a vista não pode alcançar
E assim adormece esse homem que
nunca precisa dormir pra sonhar
Porque não há sonho mais lindo do que sua terra, não há
MANOEL DE OLIVEIRA PAIVA (XI) No Seminário do Crato J. Paiva
O município de Fortaleza, capital do Ceará, está distante 567 km
do município do Crato que fica localizado no sopé da Chapada do
Araripe, no extremo-sul do estado, na Microrregião do Cariri...
(Wikipédia)
Chapada do Araripe.Região do Cariri. Crato. (Wikipédia)
Índios da Tribo Cariri, primeiros habitantes da Região do Cariri. (Imagem: google)
Índios Cariri. (Foto: blog Caricaturas).
Índio Cariri (foto: blog Cultura do Cariri)
Cícero Romão Batista, nasceu no Crato,
em 1844 e faleceu em 1934, em Juazeiro
do Norte, Estudou e ordenou-se no
Seminário da Prainha, em Fortaleza.
Na foto, com 80 anos de idade.
( Fonte: Wikipédia).
Banda Cabaçal dos Irmãos Aniceto, preservando a cultura do Crato. (blog Cultura do Cariri).
O vídeo, abaixo, é uma homenagem ao cantor Luiz Gonzaga, pelo centenário de seu nascimento, a se completar neste 2012. O "Rei do Baião" canta a composição de José Jatahay, "Eu vou pro Crato". Luiz Gonzaga, conhecido também por Gonzagão, nasceu em Exu, distante 62 Km do Crato. Exú, fica no Cariri Pernambucano, no sopé da Serra do Araripe... Apreciem e se alegrem, ouvindo o "forró pé de serra", com a gostosa sanfona do "Lua", antes de ler, abaixo do vídeo, o escrito de J. Paiva...
.
Assumira a Reitoria da Casa de Estudos o Padre Enrile, tendo como auxiliares os padres Richoux e Brayde, frequentando as aulas 41 meninos. Não sabemos se porquê o Seminário de Fortaleza, não comportava maior número de alunos, ou porquê antes tivesse em vista o Reitor mandar aqui para o Crato algum menino mais piedoso e já um pouco instruido, o único da capital ou acompanhado de outros, seguira Manoel de Oliveira Paiva, aos 14 anos incompletos, se estamos certos da data, que com muita probabilidade foi logo no início das aulas. Supomos que êle era uma "avis rara" no meio de algumas dezenas de meninos matutos da zona do Cariri, que talvez fossem angariados para experiência, afim de dar início aos estudos. Possuía Manoel de Oliveira Paiva uma vocação em flor, sujeita, sem dúvida, ao fluxo do ambiente para êle desconhecido, aos incidentes imprevisíveis. Sua mãe, Maria Isabel de Paiva Oliveira, e sua avó materna, Ana Joaquina de Castro Paiva, entregues a uma fervorosa mas consciente devoção, deviam sentir-se revigoradas, na sua pobreza, por essa vocação começada.
Meu tio Manoel de Oliveira Paiva era um menino talentoso, porém irrequieto e altivo. Afirma-se que os colegas mais rudes ou negligentes nos estudos sentiam-se com ciumes e inveja pelas boas notas que êle obtinha constantemente. O Reitor cada vez se totrnava mais doente, pela marcha da moléstia, pelos trabalhos e preocupações. Surgiu então, naquele abarracamento que servia de edifício para aulas e hospedagem, uma acusação surda contra a honestidade de Manoel de Oliveira Paiva, dizem que a propósito do furto de uma ave do quintal ou de outra coisa. Chamado o acusado, obtidas testemunhas às quais foi dado crédito porque por parte dele apenas se defendeu com a sua ingênua boa fé, o Reitor, padre Enrile,, nada se apresentando a seu favor, e afim de manter a moralidade e disciplina do estabelecimento e talvez mais contribuindo para isso seu estado de saúde, quis aplicar ao menino uma punição exemplar, recusando-se porém Oliveira Paiva a estender-lhe a mão, alegando estar inocente. Excitou-se o ânimo do austero Reitor, que exilou, ato contínuo, o aluno para uma choupana que ficava no fim do sítio do Seminário em construção. Em meu tio desapareceu a reflexão que poderia ter na idade que contava, num meio hostil, que não tinha até então sido o seu habitat,longe dos seus, que teriam podido intervir imediatamente. Revoltou-se como pode, tornou-se irritado,compondo uma marcha cheia de dignidade e rebeldia infantil:
"Quando vim da minha terra
Não foi para ser soldado:
Foi p'ra ser seminarista
E não p'ra ser maltratado!"
CÔRO:
"Alerta, alerta, alerta, estou alerta!"
"Tive pai e tenho mãe
Que me deram educação:
Pertenço a nobre família,
Brasileiro de nação!"
Havia outras cópias, cuja memória se perdeu.
Um parente, Comandante do Destacamento de Polícia, soube do estado de abandono e de desespero em que se encontrava meu tio, e, na impossibilidade de poder este continuar no Seminário, agora com sua própria repulsa e revolta , tratou de fazê-lo regressar a Fortaleza, tendo assim início o seu desajustamento com o futuro que para êle idealizara minha avó, que via fugir sua esperança de ver um filho sacerdote, mal começára os seus estudos no longínquo Seminário do Crato.
Por J. Paiva
...continua...
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NOTAS:
1- Em todos os capítulos da biografia de Manoel de Oliveira Paiva, aqui postados, venho mantendo a forma ortográfica original de 1952, quando publicado no jornal "O NORDESTE";
2- As imagens ilustrativas, que antecedem ao texto biográfico, de autoria de J. Paiva (meu pai), tem a intenção de oferecer, ao leitor, um pouco do cenário do Crato, sua religiosidade, cultura, sua gente...;
3- " Uma vocação em disponibilidade" é o sub-título do próximo capítulo da biografia de Manoel de Oliveira Paiva.
No ano de 1911, ou seja, há exatos 100 anos, meu pai já era um
moço feito, com seus 16 anos de idade...Sendo a sua mãe viúva, desde que ele tinha 10 anos, e tendo a mãe e a irmã para manter financeiramente, cedo começara a trabalhar...
Minha mãe, à altura, era apenas uma menininha, de 3 anos de
idade. Ambas as famílias, a de meu pai e a de mãe, residiam
na mesma rua, em Fortaleza, no bairro Outeiro (hoje Aldeota).
Frequentavam a mesma igreja, na missa aos domingos: Igreja do Pequeno Grande. Interessante, é que os dois núcleos familiares se assemelhavam, na composição de seus membros: mães viúvas , e ambas com dois filhos, uma menina e um menino.
Maria Carolina, minha avó materna, era mãe de Lauro e Maria José; Rosa, minha avó paterna, era mãe de José Joaquim e Maria Carmelita.O tio Lauro, era mais velho que a mamãe;meu pai, era mais velho que a tia Carmelita...
As duas senhoras, apenas se cumprimentavam, ao passar uma pela outra,nas ruas ou quando estavam na igreja, contava minha mãe...
Papai, inúmeras vezes comentou que se lembrava, perfeitamente, do tempo em que, ao assistir à missa, ele já rapazinho, observava a criança loirinha, de olhos bem azuis, que brincava com um terço, de joelhos, debruçada sobre o longo banco, daquele belo templo néo-gótico que é o Pequeno Grande. Aquela cena dominical, creio,
o encantara, tal era a ternura com que ele se referia a essa passagem de sua vida, de quando conhecera minha mãe, ainda menina. A diferença de idade, entre os dois, era de 13 anos...
Mamãe, por sua vez, nos dizia que, quando já mocinha, ainda com as duas famílias morando nas mesmas casas,na mesma rua, ao passar acompanhada de sua mãe, pensava, quando o via:" O José, só cumprimenta a mamãe...antipático e besta, como ele só!".. Era a contra-partida para o relato do meu pai, sobre o"terço" com o qual, quando ela era pequenina, brincava, enquanto o padre celebrava à missa....
Trago aqui, essas "cenas" de fatos reais, no intuito de associar, à letra da canção,"A Flor da Saudade", que papai tanto gostava de cantar, ao intenso amor, tecido, pacientemente, por meu pai, à minha mãe, desde a sua adolescência...
Ele acompanhara o desabrochar daquela "mimosinha flor" que
era a sua bela prometida :" a Mazé, da Dona Carolina, menina prendada, pobre, mas de "boa" família"...(palavras dele)...
Apreciem a pureza, o romantismo da letra..,que é bem curtinha mas, naturalmente, mimosa...
A FLOR DA SAUDADE
Ó terna saudade
Mimosinha flor
Só tu me acompanhas
Meu pranto e dor
Só tu me acompanhas
Meu pranto e dor
Eu quero, quero amar-te
Mimosinha flor
Ó grito tristonho
Do campo assolas
Do meu coração
És fiel retrato
Só tu me acompanhas
Meu pranto e dor
Eu quero, quero amar-te
Mimosinha flor
Ó terna saudade
Que exprime paixão
Só tu tens entrada
Em meu coração
Só tu me acompanhas
Meu pranto e dor
Eu quero, quero amar-te
Mimosinha flor
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NOTAS:
1- A imagem, no início da postagem, que achei bem apropriada, para a letra de A Flor da Saudade, "salvei-a" no google...
2- No caderno, em que a letra está manuscrita, não há referência sobre o autor...como em grande parte das letras, como já me referí antes...
3- Retornando hoje, de nossa belíssima Capital Federal, Brasília,
devo confirmar que não vi, sequer, a famigerada "Rampa do Planalto". Além de visitar o "museu" do B., meu mano "véio", assistir à eterna Elza Soares (inteira) e alguns curtas e longas (muito bons) do 44 º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, fiquei "meia enclausurada" na bela "Asa Sul", da "Cidade Avião", projetada por Niemayer, revisitando o acervo de meu pai, onde, à cada visita, mais descubro de sua encantadora personalidade. Pasmem: não me fiz fotografar uma única vez, apenas fotografei objetos-relíquias...que tantas vezes passaram por suas prodigiosas e carinhosas mãos...
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Estou indo...........................................mas eu volto, um abraço!
Em um baú, semelhante a este, que pertencera a Anna Joaquina
de Castro Paiva, minha bisavó/trisavó Donana, eram guardadas
as chamadas "relíquias" da família Paiva....
(Foto: mercado livre)
No "baú das relíquias", repousou, por muitos anos, uma pedra de
mármore branca, escrita em tinta negra, que nunca se "tornou"
tumular, de fato....
(Essa pedra, foi "feita" pelo Rodrigo Paiva, meu filho, no CP...)
Bem próximo à Igreja da Prainha (N. Sra. da Conceição), no bairro
Outeiro, durante muitas décadas, residiu o núcleo da famíla Paiva que
emigrou para o Ceará, por volta de 1843, passando pelos Inhamuns
(Cococi) vindo, definitivamente, viver em Fortaleza onde formou o seu Clã...
Possivelmente, neste mercado eram adquiridos os gêneros de primeiras
necessidades que alimentaram a família Paiva....Esse, era o principal
mercado da época, no centro da cidade....O núcleo da família, residiu
sempre em bairros centrais de Fortaleza...
(Foto: Arquivo Nirez)
Primeira Catedral (Sé) de Fortaleza, que foi demolida em 1938
para a construção da catedral atual. O meu outro bisavô paterno,
João Francisco de Oliveira, açoreano, Mestre de vários ofícios,
construira alguns altares para essa Catedral, conforme consta
nos escritos de meu pai....
(Foto: Arquivo Nirez)
Bonde puxado a burro, em rua central da provinciana Fortaleza do
século XIX. Senhoras de vestidos brancos e chapéu, devido ao
intenso calor...
(Foto: Arquivo Nirez)
Chegada de passageiros, na Estação Central, em Fortaleza. Não sei precisar
se a família Paiva veio de trem, dos Inhamuns...quem sabe, desembarcaram aí...
(Foto: Arquivo Nirez)
Esquina da Rua Guilherme Rocha com Praça do Ferreira. Por aí
passava o bonde elétrico. A maioria dos homens andava de terno branco
e chapéu... (Foto: Arquivo Nirez)
Praça do Ferreira, ainda com o quiosque central, que daria lugar
à Coluna da Hora.... (Foto: Arquivo Nirez)
Praça do Ferreira, já com a Coluna da Hora....a primeira....depois,
um prefeito qualquer mandou ir abaixo, para construir a atual....
(Foto:Arquivo Nirez)
Praia do Meireles, vendo-se ao longe o coqueiral da Praia de Iracema,
que não mais existe....para cada coqueiro construiram um edifício.....
é a Av. Beira-Mar de hoje....
(Foto: Arquivo Nirez)
Este é o Café do Comércio, que reunia os intelectuais do século XIX, em
plena Praça do Ferreira, centro da cidade....na chamada "Fortaleza Belle Époque"...
(Foto: Arquivo Nirez)
Rua 25 de Março, no "coração" do Outeiro...Ao longe vê-se a
torre da Igreja do Pequeno Grande. À extrema esquerda, correspondente
à igreja (anexa ao Colégio da Imaculada Conceição) ficava o sítio onde
morava a Família Paiva. O sítio ocupava todo o quarteirão da Rua 25
Março, entre as atuais Ruas Franklim Távora e Pinto Madeira...
(Foto: Arquivo Nirez)
Passeio Público, depois chamado de Praça dos Mártires. Lugar
frequentado, principalmente, pela chamada "elite fortalezense" na,
também chamada "Fortaleza Belle Époque"....tal a influência
francesa, do século XIX para início do século XX...
(Foto: Arquivo Nirez).
Esta é uma foto célebre: o local é uma chácara, no bairro Benfica,
no sítio de propriedade do livreiro Gualter Silva,que costumava
reunir os intelectuais cearenses. O penúltimo, à direita, sentado
ao lado do senhor com um bandolim, é Manoel de Oliveira Paiva,
romancista, poeta, irmão de minha avó paterna, Rosa... neto, portanto,
de Anna Joaquina e Vicente Ferreira de Paiva.
(Foto: Arquivo Nirez)
Este vídeo, mostra um pouco da Fortaleza Antiga, no período denominado "Belle Époque"
pela grande influência sofrida pelos intelectuais e "elite" da "alta sociedade" fortalezense...
Depois da série de fotos em preto e branco, da Fortaleza Antiga,
que foi o "refúgio da grei", no dizer de meu pai, publico este mapa
do Ceará, a cores, que apresenta os nomes dos estados brasileiros
com os quais o Ceará faz limite(no sentido relógio): Rio Grande do Norte,
Paraiba, Pernambuco e Piauí. Foi junto ao mar, em Fortaleza,
que as gerações seguintes foram dando prosseguimento ao
Clã Paiviano.....(Foto: google)
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Após chegar à Fortaleza, entre 1843 e 1844, meu tio-avô Antônio
Pereira de Brito Paiva, já formado para o magistério, com pouco
mais de 30 anos de idade, possivelmente, logo se estabeleceu...
Sendo seus parentes do Cococi, pessoas de posses e influentes na
sociedade cearense, imagina-se que foi oferecido um considerável apoio à família que passara momentos tão aflitivos. Tornando-se o
patriarca da família, em substituição ao pai assassinado, teria que
prover de sustento à madrasta, para ele considerada mãe, e aos irmãos menores, os quais deveriam frequentar uma escola.
De acordo com os escritos deixados por meu pai, e também pelas
longas conversas que eu mantinha com ele, o "tio Antônio", casou-se por volta de 1846, com Dona Ana Joaquina da Conceição, que era viúva (deste casamento tratei nas postagens Família Albano e Paiva, unidas misticamente II e II, no mês de fevereiro p.p.) Minha bisavó, Donana, cuidava dos três filhos. O outro enteado, Miguel, fora morar em outra cidade, já adulto que era e, certamente já independente. Assim, a vida ia transcorrendo normalmente. Um dado importante, imagina-se, é que a família deve vendido muitos
de seus bens acumulados no Engenho Tamatanduba...
Quando eu menina, aí pelo início dos anos 1950, passei a me inteirar das histórias da família. Além dos móveis da casa, do
"pilão da bisa" (também há postagem, aqui, sobre ele), dos móveis,
lembro-me de dois baús : um, era retangular, escuro e com tachinhas douradas; o outro, de cedro, tinha tampa abaulada. No primeiro, eram guardados os lençóis, as toalhas de banho e mesa e as redes de dormir (alvas e cheirosas); no segundo baú, de tampa abaulada, ficavam "arquivadas" as relíquias que quase nunca saiam de lá...
Certa vez, vi meu pai a retirar objetos do "baú das relíquias" e, surpresa, fiquei a observar o que ele segurava com as duas mãos:
era uma pedra mármore, branca com palavras em tinta negra.
Fiquei impressionada porque, até então, só vira lápides no cemitério. A pedra de mármore, de acordo com a minha memória,
media 60 por 40 centímetros, mais ou menos. Perguntei a meu pai,
então, o porquê de duas datas... e se aquele J. J. Paiva, era ele...
Ele então respondeu-me que , 30 anos depois do assassinato do
pai, o filho José Joaquim de Paiva, seu pai, resolvera que iria à Tamatanduba colocar, aquela lápide, no túmulo de seu pai assassinado. Daí, as duas datas, inscritas na pedra de mármore.
Porém, os familiares o demoveram da ideia, com receio de outra desdita,disse-me. Provavelmente, meu avô e a família, não tiveram conhecimento do suicídio de Dendé Arcoverde, ocorrido em 1857,
15 anos antes da confecção da lápide tumular...Não haveria mais
perigo....,supõe-se, e meu avô teria ido levar a lápide...
Não conheci meu avô, pai de meu pai, de mesmo nome : José Joaquim. Ele faleceu em 1905, quando meu pai tinha 10 anos de idade. Meu pai contava, e está registrado em seus escritos, que ele
fora morar no Rio de Janeiro, ainda jovem, e lá casara com uma filha de italianos. Chamava-se Adelina Muzzio. Com ela, nasceram 10 filhos. Anos depois, trouxe toda a família para morar no Ceará.
Ficando viúvo, casou-se com uma sobrinha, Rosa, que seria a mãe de meu pai e de minha tia Carmelita. Quero supor, que esses segundos casamentos, com sobrinhas, tinham o "objetivo" de não "entregar" os
filhos (no caso de meu avô eram 10) às mãos de uma madrasta....
Sendo sua sobrinha, a esposa seria prima dos seus filhos...., ficariam "em família", portanto...
Voltemos, à lapide tumular...Lembro-me que, certo dia, apareceu em nossa casa, nos anos 1960 (não sei precisar a data), um padre que era pároco da cidade de Aquiraz- CE, de nome Hélio Paiva. Ele era neto de um dos filhos do primeiro casamento de meu avô. Portanto, esse padre, era sobrinho- neto de meu pai e trineto de Vicente Ferreira de Paiva. Soubera ele que meu pai tinha, em casa ,uma lápide tumular, que nunca fora afixada no túmulo de Vicente...
Tendo ele, Pe. Hélio, criado um museu sacro em Aquiraz,veio pedir, ao meu pai, que "doasse" ,ao recém criado museu, a lápide tumular referente ao assassinato de seu trisavô, Vicente Ferreira de Paiva.
Diante de um pedido assim, meu pai não se negou a atender ao seu pedido, ficando mesmo sensibilizado e, de certa forma aliviado : a lápide, ao menos, sairia do baú e seria exposta. Mais ainda: no Museu Sacro de Aquiraz. Aquiraz, foi a primeira capital da, então,
Província do Ceará....
O tempo se passou. O Padre Hélio, deixou a batina, casou-se, tornou-se político, chegando a prefeito de Aquiraz. O Museu Sacro, continua funcionando, no município de Aquiraz. Quando passei a me interessar a fazer a pesquisa sobre
a família Paiva, ao voltar do Rio Grande do Norte, em 2007, fui visitar o Museu Sacro. A lápide tumular, já lá não se encontra. Fiz contato com Hélio Paiva, indagando sobre a lápide. Segundo ele, deixou-a no museu por ele criado. Deduzi que "sumiu". Não me
dei por satisfeita. Há uns três anos, retornei ao museu, criado
pelo primo Hélio Paiva.No museu ,encontrei uma funcionária que
trabalha lá há mais de 30 anos, conforme disse-me. Ingadaguei-lhe sobre a lápide tumular. Ela respondeu-me que nunca vira essa
pedra descrita por mim. Ao despedir-me dela informou-me que era
comadre de Hélio. Acrescentou, ao final, que o compadre Hélio
possui, em sua casa, um grande acervo de peças de museu...
Confesso, que fico a "sonhar", de vez por outra que, aquela lápide
tumular, faz parte do acervo que o trineto de Vicente Ferreira de
Paiva, o ex-padre Hélio Paiva, possui em sua casa...
A lápide tumular, tenho-a apenas na memória. Foi a partir da
minha memória, passada para o papel, que meu filho "montou",
a que ilustra este último capítulo de SAGA DE UMA FAMÍLIA.
Mas, sinceramente, gostaria de rever a lápide original....
Quem sabe, um dia, se o IPHAN recuperar a capelinha do Engenho Tamatanduba eu consiga afixá-la em uma de suas paredes....Aqui, faço uma "súplica" ao Hélio Paiva:
- "Primo, ajude-me a encontrar a Lápide Tumular, para que
possamos, um dia, colocá-la no túmulo de nosso avoengo...!"
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NOTA: Aqui, dou por encerrada a série
"SAGA DE UMA FAMÍLIA".
A partir da próxima postagem, continuarei a narrar fatos
ligados à minha família e a mostrar objetos de "meu acervo museológico" real, ou dos que estão no "baú" da minha memória...
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Estou indo, mas volto........................................um abraço!