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10 junho, 2024

Pétala nº 3821

“Somos todos filhos da terra.”
(Abdulrazak Gurnah, in "Junto ao mar")


“Falo com os mapas. E às vezes eles respondem-me. Não é tão estranho quanto parece, nem é tão-pouco inaudito. Antes da existência dos mapas, o mundo era ilimitado. Foram os mapas que lhe deram a forma e o aspecto de um território, de uma coisa que podia ser possuída, e não apenas arrasada e saqueada. Os mapas tornaram os lugares na orla da imaginação alcançáveis e domesticáveis. E, mais tarde, quando essa necessidade surgiu, a geografia transformou-se em biologia, para construir a hierarquia com a qual seria possível identificar os povos que, inacessíveis e primitivos, viviam noutros sítios do mapa.” 

“Sou um refugiado, um requerente de asilo. Não são palavras simples, ainda que o hábito de as ouvirmos assim as façam parecer. (…) É um pequeno clímax comum nas nossas histórias, abandonar o que conhecemos e chegar a lugares estranhos, carregando fragmentos de bagagem desirmanada e reprimindo ambições secretas e incompreensíveis. (…) O que sabemos puxa-nos constantemente para o que não sabemos…

ABDULRAZAK GURNAH, escritor nascido em Zanzibar, em 1948, a viver em Inglaterra desde a década de 1960, in “Junto ao mar”, Ed. Cavalo de Ferro, 2022 
Prémio Nobel da Literatura, 2021


A que novos desastres determinas
De levar estes Reinos e esta gente?
Que perigos, que mortes lhe destinas,
Debaixo dalgum nome preminente?
Que promessas de reinos e de minas
D' ouro, que lhe farás tão facilmente?
Que famas lhe prometerás? Que histórias?
Que triunfos? Que palmas? Que vitórias?

LUÍS VAZ DE CAMÕES, poeta português (1524-80)
"Fala do Velho do Restelo", de OS LUSÍADAS



(fotos net)