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18 novembro, 2024

Pétala nº 3835


“Há as lembranças, o presente e as nossas vidas anteriores que mudam de cheiro. Quando se muda de vida, muda-se de cheiro.

A infância tem o do alcatrão, de uma câmara de ar e do algodão-doce, do desinfetante das salas de aula, das chaminés das lareiras que exalam o hálito das casas nos dias de frio, do cloro das piscinas municipais, da transpiração agarrada à roupa nas filas dois a dois à saída do ginásio, das pastilhas elásticas na boca, da cola que faz fio nos dedos, das gomas entaladas entre os dentes, de uma árvore de Natal plantada no coração.


A adolescência tem o odor da primeira passa, de um desodorizante almiscarado, de uma fatia de pão com manteiga numa caneca de chocolate quente, do uísque-cola e das caves transformadas em salas de baile, do corpo que deseja, da água de colónia, do gel para o cabelo, do champô de ovo, do batom, de restos de detergente numas calças de ganga.


As vidas posteriores, aquela da écharpe esquecida pelo primeiro desgosto amoroso.


E depois há o verão. O verão pertence a todas as lembranças. É intemporal. É o cheiro que é mais duradouro. Que se agarra às roupas. Que se busca toda a a vida. Os frutos mais doces, a brisa marítima, as bolas de Berlim, o café escuro, o protector solar, o pó de arroz das avós. O verão pertence a todas as idades. Não há infância nem adolescência. O verão é um anjo."

VALÉRIE PERRIN, escritora francesa (1967-), in "TRÊS", Ed. Presença, 2023



(fotos PIXABAY)

22 setembro, 2023

Pétala nº 3785


"As folhas mortas apanham-se com uma pá, as lembranças e os remorsos também."

"O Outono é uma canção de embalar para a vida que brotará.”

VALÉRIE PERRIN, escritora francesa (1967-), in "A breve vida das flores", Ed. Presença, 2022


“Cada um ouve de acordo com a sua sensibilidade. Mas é bom ouvir música e tentar, de vez em quando, perceber o que ela faz connosco.”
BERNHARD SCHLINK , escritor alemão (1944-), in “A Neta”, Ed. ASA, 2023

“A música confere-nos a humanidade de nos conseguirmos transcender. A possibilidade existe. Pensa em Bach. Todas as suas composições têm, como interlocutor, o invisível, a fé...”
PATRÍCIA REIS, jornalista e escritora portuguesa (1970), in “Chave de entendimento para uma sinfonia perdida”, Ed. Expresso, 2018


Chegou a hora de voltar, voltei.
Um abraço, um Outono feliz!


(fotos Pixabay)


09 março, 2021

Pétala nº 3206

“É possível que os momentos que acabamos de viver subitamente se apaguem na nossa consciência, e se transformem em medo, desejo, ansiedade, premonição. E naquilo que temos por reminiscências talvez esteja um destino que, com jeito, poderemos arbitrar, contornar, recusar, ou desfrutar com intensidade dobrada.” 
CHICO BUARQUE (Chico Buarque de Holanda), escritor brasileiro (1944-) in “Benjamim”, Ed. Presença, 1997

16 maio, 2020

Pétala nº 2913

“… lembrança de velho não é confiável…"          
CHICO BUARQUE (Chico Buarque de Holanda), escritor brasileiro (1944-) in “Leite derramado”, Ed. D. Quixote, 2009

08 maio, 2020

Pétala nº 2905

”Na velhice a gente dá para repetir casos antigos, porém jamais com a mesma precisão, porque cada lembrança já é um arremedo de lembrança anterior."
CHICO BUARQUE  (Chico Buarque de Holanda), escritor brasileiro (1944-) in “Leite derramado”, Ed. D. Quixote, 2009

06 maio, 2020

Pétala nº 2903

“Com a idade a gente dá para repetir velhas lembranças e as que menos gostamos de resolver são as que persistem na mente com maior nitidez.” 
CHICO BUARQUE (Chico Buarque de Holanda), escritor brasileiro (1944-) in “Leite derramado”, Ed. D. Quixote, 2009