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04 February 2026

Sandy Denny & Fotheringay - "Nothing More"/"Gypsy Davy"/"John the Gun"/"Too Much of Nothing"

24 December 2025

 Bob Dylan met Manitas de Plata in St.Maries de la Mer

"Legend tells of a boat that washed up on the shores of Saintes Maries de la Mer shortly after the crucifixion of Christ. The boat contained Mary Magdalen, Mary Jacobe and Mary Salome, the three Marys after whom the town is named, along with their Egyptian handmaiden, Sara. Close disciples of Christ, the boat’s occupants were hounded and arrested following his death, then placed in a small skiff without oars and set adrift on the Med. When the boat safely reached land, Lazarus, Martha and Mary Magdalen continued on their journeys to teach the scriptures; Martha to Tarascon, Mary Magdalen and Lazarus to Marseilles. The other two Marys and Sara remained in Saintes Maries.

Never recognised by the church, Sara is said to have dedicated her life to protecting the children of the French gypsies, or Gitans, from persecution as a result of which she was adopted by the Gitan as their Patron Saint. Since the 12th century, during the Gitan Pilgrimage in conjunction with the Patron Saints’ Day of the three Marys on 25th May, tens of thousands of Gitan, Romany, Manouche and Tzigane Gypsies descend upon the town to carry the statue of Sara down to the sea on their shoulders the day before the Saints arrived so that she can wait to welcome their arrival to the shores of Saintes Maries" (aqui + "Meet Sara-la-Kali, the patron saint of displaced people)

"The album version of "One More Cup of Coffee (Valley Below)" was recorded on July 30, 1975, and released on Desire in January 1976. Dylan said the song was influenced by his visit to a Romani celebration at Saintes-Maries-de-la-Merin France on his 34th birthday  (aqui; ver aqui)

08 December 2025

(Post que deveria ter sido publicado na sequência deste)

"Hallelujah" (L. Cohen) 

(sequência daqui) Não menos decisiva foi a omnipresente ausência da figura do pai, Tim Buckley. A busca de Jeff da sua própria identidade — tanto como artista como enquanto pessoa — estava irremediavelmente presa ao legado dele. Na verdade, se o jovem Buckley tentava distanciar-se do estilo musical de Tim, It's Never Over, Jeff Buckley mostra como a sombra da influência de Tim Buckley ainda o assombrava. Tanto pelo crescente assédio editorial ("As editoras começaram a infestar os meus concertos, andavam todos a tentar farejar o novo Tim Buckley. Odiava aquilo!") como pela forma como diversos testemunhos colocavam o problema: "Ele andava em busca das respostas de um fantasma, as respostas do pai". Interrogava-se acerca da sua real valia ("Precisei de 27 anos para gravar Grace. Irei precisar de outros 27 para o que vier a seguir?") mas outras figuras do passado recente assombravam-no igualmente. Caso do primeiro instante em que franqueou as portas de entrada da Sony, em Nova Iorque, e "a coisa em que imediatamente reparamos é na fotografia de um belíssimo Bob Dylan suspensa na parede"; depois, Miles, Thelonious Monk, Duke Ellington...", uma espécie de guarda de honra intimidatória que o obrigava a recordar quais os padrões com que iria ser avaliado. Tarefa para a qual, segundo o compositor e maestro Karl Berger (íntimo de Ornette Coleman, Lee Konitz, Anthony Braxton Carla Bley, Bill Laswell, John McLaughlin, Natalie Merchant) ele não se acharia insuficientemente preparado: "Ele ouvia Bill Evans, Shostakovich... conhece algum músco pop que saiba sequer quem foi Shostakovich?" (segue para aqui)

20 October 2025

CANTOS DE SEREIA
Estava-se a meio do primeiro mandato do energúmeno Trump e Emma Swift - autora de programas de rádio, em Sydney, na Austrália e, em 2013, transplantada para Nashville, Tennessee - sentia-se encurralada: "Tinha 30 e tal anos e ainda não tinha resolvido nenhum dos meus problemas de infância nem encontrado um ponto de equilíbrio nas minhas relações. Por outro lado, Donald Trump tinha sido eleito e sentia-se uma mudança muito tóxica na atmosfera cultural com um certo fascismo rançoso a levantar a cabeça". Como forma de superar a depressão, em modo de automedicação musical, experimentou a terapia Dylan: "Ele é um 'songwriter' que sempre me pareceu supremamente confiante, aparentemente, nunca tolhido por dúvidas. Apeteceu-me estar na pele dele. E, para isso, nada melhor do que atirar-me às suas canções, como quem experimenta uma peça de roupa”. Emma nunca se vira como uma autora de canções especialmente fértil mas, nessa altura, secara-lhe a inspiração. "Bob Dylan não me ensinou apenas a escrever canções, ensinou-me também a ser artista, activista, a fundir o literário e o musical". O resultado seria Blonde On The Tracks (2020), espécie de fusão entre Blonde On Blonde e Blood On The Tracks que funcionaria como elixir milagroso. (daqui; segue para aqui)

 "Beautiful Ruins"

26 August 2025

23 August 2025

Gary Burton: vibraphone; Jerry Hahn: guitar; Steve Swallow: bass; Roy Haynes: drums - "I Want You" (B. Dylan)

03 August 2025

 
(sequência daqui) Por último, e presenteando-nos com a súmula perfeita realizada por quem domina a matéria por fora e por dentro, o 4º pilar é sustentado por Bob Dylan: "Bob. Há um esforço, uma tensão nas suas canções. Quando começa uma canção de 7 ou 8 minutos, por exemplo, 'Visions Of Joanna' ou 'Tangled Up In Blue', musicalmente bastante simples... não surge nenhuma instrumentação nova, deixamo-nos ir atrás, é apenas aquele núcleo de melodia e som em fusão, sobre o qual ele conta uma história. Pensava que isso estivesse para além das minhas capacidades. Neste álbum, há uma canção de 8 minutos, 'Breakfast On The Train', 2 minutos acima da canção mais longa que já escrevi..." Eu não o teria dito melhor, Robert. Chamaria apenas a atenção para que, se há aqui uma canção dylaniana, ela só pode ser 'Tell It Back To Me', aliança perfeita entre jingle-jangle byrdsiano de guitarras e ostinato de harmónica a oferecer espessura ao pós-refrão.

11 July 2025

"Don't Go Near The Water" (de Surf's Up, na íntegra aqui)

(sequência daquiSmile foi arquivado semanas antes do lançamento de Sgt. Pepper’s. Ficaram as ruínas: fragmentos em Smiley Smile (1967), os bootlegs da Sea of Tunes, a caixa Good Vibrations: Thirty Years of The Beach Boys (1993), a reinterpretação de 2004 com os Wondermints e Parks, e, finalmente, em 2011, The Smile Sessions, com mais de quatro horas de sessões originais. Já conhecíamos tudo, mas nunca assim. Era a restauração de uma miragem. Enquanto Smile morria antes de nascer, os Beach Boys sobreviventes buscavam um novo começo. Sem Brian no comando, os anos 1970 revelaram uma banda distante do eterno hedonismo californiano. Barbudos, introspectivos e politizados, lançaram álbuns como Sunflower (1970) e Surf’s Up (1971), com canções que abordavam a violência policial, a resistência juvenil e o desencanto político (“Nothing much was said about it and really next to nothing done, the pen is mightier than the sword, but no match for a gun!" cantava-se em "Student Demonstration Time"). “Eles são profundos, comprometidos e modernos”, escrevia Tom Smucker na "Creem". Em consonância com esta imagem, a banda acolheu as políticas de esquerda e exibiu uma consciência social. As atuações ao vivo estavam impregnadas de um propósito político. Em 1971, actuaram nas manifestações do Dia do Trabalhador em Washington, contra a guerra no Vietname, que resultaria na maior detenção em massa da história dos Estados Unidos. Em 1974, actuaram com Bob Dylan, Pete Seeger e Phil Ochs no "An Evening with Salvador Allende", um concerto de beneficência em homenagem ao antigo presidente socialista do Chile, derrubado por um golpe de Estado apoiado pelos Estados Unidos. (segue para aqui)

16 May 2025

Bob Dylan - "I Want You"

(ver aqui)
"Speakers' Corner"
 
(sequência daqui) Aparentemente pouco apetecível como matéria para versões memoráveis, agora que Suzanne Vega, quase 10 anos após Lover, Beloved: Songs from an Evening with Carson McCullers, regressa com Flying With Angels, foi justamente por essa via que arriscou penetrar: "Chambermaid", pastiche melódico/harmónico mais que explícito de "I Want You", apresenta-se ("I'm the great man's chambermaid, I've seen where his hallowed head is laid, I revere the places he has played and clean crumbs from his typewriter") e, distraídamente, deixa cair "You want to know, did I ever steal? He never leaves anything out that's real, I took nothing he would miss, but only once I stole a kiss", perfil psicológico relâmpago mas esclarecedor. De Mariupol a Galway, o olhar de Suzanne obriga-nos ainda a pensar no velho Speakers' Corner: "In politics and song, I guess we better use it now before we find it gone".

13 May 2025

OLHAR EM VOLTA
Na madrugada de 10 de Março de 1966, no estúdio A da Columbia, em Nashville, durante 4 horas, Bob Dylan entregar-se-ia por inteiro à gravação das 7 takes de "I Want You" que apenas conheceríamos na íntegra, em 2015, no Bootleg Series Vol. 12: The Cutting Edge 1965–1966. Seria a última faixa de Blonde On Blonde a ser gravada e, como então confessaria, "Não se trata de colar palavras bonitas a uma melodia ou o inverso. Eu quero ouvir o som do que pretendo dizer". Naquela que viria a ser - talvez apenas com excepção de "Love Calls You By Your Name", de Leonard Cohen - a mais perfeita canção de paixão obsessiva, entre um refrão obstinado ("I want you, I want you, I want you so bad, honey I want you") e um desfile improvável de personagens (o "guilty undertaker", o "lonesome organ grinder", a "Queen of Spades", a "dancing child with his Chinese suit", o "drunken politician"), de raspão, enxergava-se a "chambermaid": "I'll return to the Queen of Spades, and talk with my chambermaid, she knows that I'm not afraid to look at her". (daqui; segue para aqui)

19 February 2025

 
"It’s All Over Now, Baby Blue" (Live Free Trade Hall in Manchester, England, 1965)
 
(sequência daqui) A primeira canção que apresentaria em Newport seria "Maggie's Farm" (“Well, I try my best, to be just like I am, but everybody wants you, to be just like them”). Seguir-se-ia "Like A Rolling Stone" ("How does it feel, how does it feel? to be on your own, with no direction home, like a complete unknown, like a rolling stone"). Empurrado para um encore por entre vaias e aplausos, despedir-se-ia de modo inteiramente esclarecedor: "Leave your stepping stones behind, something calls for you, forget the dead you’ve left, they will not follow you, the vagabond who’s rapping at your door, is standing in the clothes that you once wore, strike another match, go start anew, and it’s all over now, Baby Blue". O recado ficaria dado por várias gerações.

17 February 2025

16 February 2025


 
(sequência daqui) A Complete Unknown assume, então, um duplo carácter de filme musical - algumas dezenas de canções de Bob Dylan, Woody Guthrie, Pete Seeger, Joan Baez e vários outros , na totalidade ou em parte, são omnipresentes - e de documentário ficcionado. Interpretadas pelos próprios actores, Dylan/Chalamet chega a ser assombrosamente mimético, Edward Norton é um Pete Seeger totalmente convincente e Monica Barbaro apresenta uma versão vastamente melhorada de Joan Baez. Sob a figura tutelar (mas emudecida pela coreia de Huntington) de Woody Guthrie, no percurso de Bob Dylan entre a chegada a Nova Iorque em 1961 e o confronto com o fundamentalismo folk, na explosão eléctrica do Festival de Newport de 1965, importa muito pouco que o encontro entre Seeger e Dylan não tenha, de facto, tido lugar à beira da cama de hospital de Woody Guthrie onde Dylan lhe teria dado a ouvir "Song For Woody", que o insulto de "Judas!" lhe tenha sido lançado no Free Trade Hall, de Manchester, um ano depois, e não no palco de Newport, ou que, de forma aparentemente milagrosa, "Like A Rolling Stone" tenha descido dos céus por intervenção de Al Kooper sem necessitar das 20 "takes" que se preservam em The Cutting Edge 1965-1966: The Bootleg Series Volume 12 (2015). (segue para aqui)

14 February 2025

(sequência daqui) Justamente por nunca ter sido senão um total desconhecido, Todd Haynes, em I'm Not There (2007), dividiu-o em seis heterónimos: Arthur Rimbaud (narrador, comentador), Woody Guthrie (um miúdo negro que reune num só o jovem Dylan e Woody); Jack Rollins (Dylan “cantor de protesto” sobreposto ao simétrico cristão "born again"); Robbie Clark (protagonista de “Grain Of Sand”, um biopic ficcional sobre Jack Rollins), Jude Quinn (o assombroso Dylan em roda livre de Highway 61 a Blonde On Blonde); e Billy The Kid (o fora-da-lei em fuga do papel de “porta-voz de uma geração”). Já Rolling Thunder Revue: A Bob Dylan Story by Martin Scorsese (2019), o registo da digressão de Dylan de 1975, combinava desvairadamente material documental com delirante efabulação na qual nem Sharon Stone escapava de se ver retratada como "groupie/roadie" adolescente que desfrutara de favores vários de um Dylan em modo poeta errante. (segue para aqui)