Showing posts with label camp. Show all posts
Showing posts with label camp. Show all posts

24 January 2010

PURE ZOOLANDER



"Unlike his predecessor [David Beckham], the poor chap is clearly no supermodel. It's not just that he's less naturally handsome, with a strangely prominent Adam's apple and feminine features that contrast oddly with his rugged physique. He's also obviously uncomfortable in front of a camera. In all the shots, Ronaldo is clearly trying his hardest to look sultry and mysterious. But the effect is pure Zoolander, a la the dumb male model of Ben Stiller's comedy whose trademark 'blue steel' facial pose is hilariously over the top. (...)


Zoolander - realiz. Ben Stiller (2001)

Another pose - sideways on to the camera in tight white underpants - is, quite frankly, disturbing. Peeping over biceps that are the exact size and shape of a couple of oven-ready chickens is a face that looks like Liv Tyler's - all pouty lips and over-made-up doe eyes. In a third, he appears to be paying homage to Village People, with an open waistcoat over his naked chest, pulling down tight jeans to reveal the top of his underpants and staring moodily at the camera. (The large earrings don't help, either.)



Overall, the effect is camp in the extreme. As Matthew Todd, editor of the gay magazine Attitude said last week, his own publication would have given Ronaldo a 'far butch-er' makeover. (...) Altogether, the impression is of a person who is far too in love with himself and his own appearance to waste time thinking about anyone, or anything, else. What self-respecting woman would fall for Ronaldo, whatever the size of his sixpack, when he clearly has no time to read books, go to the cinema, or develop opinions about anything apart from his football or his gym equipment?" (aqui)

(2010)

18 January 2010

MUSICAL ULTRA-CAMP



The Irrepressibles - Mirror, Mirror

De acordo com o que apregoa o manifesto, os Irrepressibles movem-se "na terra de ninguém do nosso rescaldo cultural capitalista pós-moderno, brincando com as cinzas, chorando a sua ruína", "o seu nome é um apelo às armas", "não desejam jogos estafados, por isso, irritam-se e inventam novos". É uma maneira de dizer. Porque, ouvido Mirror, Mirror, o que o contratenor Jamie McDermott e a sua orquestra de câmara de cordas e sopros têm para oferecer é um histérico teatro musical de ultra-"camp" barroco em que, mesmo condescendendo em não lhe pronunciar o estado de rigor mortis, não se descobre muito mais de tudo aquilo que, do Bowie "glam" aos Roxy Music-versão-plumas-e-lantejoulas, às tragédiazinhas "kitsch" de Marc Almond, ao "grand-guignol" dos Parenthetical Girls ou ao romantismo murcho e lacrimoso de Antony Hegarty (cujo timbre, em balidos de soprano ovino, McDermott reproduz com assinalável e aborrecida fidelidade) – com três ou quatro contribuições do gerador automático de arranjos de que a Philip Glass Inc. registou, há muito, a patente –, a história da pop mais cenograficamente excessiva não tenha já conhecido, arquivado e, em casos como este, muito merecidamente esquecido.

(2010)

02 March 2008

01 March 2008

TOM WAITS: AUTOBIOGRAFIA EM PEQUENAS PRESTAÇÕES, DITOS DE ESPÍRITO E SABEDORIA (XXXIII)



"Os músicos que escolhemos para The Black Rider tanto provinham da música clássica como tocavam em estações de comboio. A princípio, houve um certo conflito na orquestra. Alguns tipos não sabiam ler música e outros tinham tocado na sinfónica de Berlim; eram um bocadinho peneirentos.

(...)

"As canções são uma coisa difícil porque, se são óbvias demais, entram por um ouvido e saem pelo outro. Se não são suficientemente óbvias, nunca chegam a entrar. Ninguém ouve uma canção como se estivesse a ler um manual de instruções. Entram em nós como se alguém nos estivesse a contar um sonho. Ouvimo-la e relacionamo-la com o nosso próprio sonho.

(...)

"Liberace era o Arthur Rubinstein dos pobres. Tocava em salas de vaudeville. O seu número era 'Olhem para as minhas jóias e para as minhas peles. Com que então saíram do vosso apartamentozeco gelado para virem ao teatro? Vejam lá o que eu tenho para vos oferecer!'

(...)



"Casei-me, despedi o meu manager, e eu e a minha mulher produzimos um disco. Nunca tinha feito nada parecido antes. Ela lançou-me fogo. Nessa altura, eu estava a tentar descobrir a minha verdadeira voz. Até aí, tinha a cabeça assente sobre o corpo de um outro. Sabia do que gostava mas nunca tinha realmente aprofundado isso no que me dizia respeito. Tinha diversas influências musicais irreconciliáveis com as quais não sabia o que fazer. Gostava de Ray Charles e dos Yardbirds. O que é que se pode fazer com isto? Ela desafiou-me a ter a coragem de dizer ‘Porque é que cada canção não há-de soar um bocadinho diferente, como uma compilação?’.

(...)

"Para a maioria dos músicos, há o onstage e o backstage. Eu cresci mais ou menos em público. Tinha vinte e dois anos quando gravei o primeiro disco. Ainda andava a tropeçar pelas escadas abaixo. Não fazia ideia do que estava a fazer mas sabia que iria ser músico. Há pessoas que aparecem logo completamente formadas, como um ovo. Comigo, não aconteceu assim. Fui juntando as peças pelo caminho. Uma persona de palco é muito diferente daquilo que somos. De facto, uma persona é algo que não acreditamos ser mas que tentamos desesperadamente convencer os outros que somos.

(...)

"Sabe o que é o pior de tudo? É quando alguém diz 'Ele não morreu já?’. E, na verdade, não morreu ainda. Mas, como não ouvimos nada dele há muito tempo, assumimos que morreu. Se não publicamos um disco durante uns anos, começam a circular rumores de que temos cancro da garganta. Ou diabetes. E amputaram-nos uma perna. Ou que ficámos sem um olho numa zaragata. É espantoso o que se conjectura.

(...)

2006

(2008)