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01 September 2016

APURAR E DECANTAR

  
Segundo Neil Hannon, aparentemente, o assunto deixa-se esclarecer em poucas palavras: “Suponho que Foreverland foi inspirado pela minha história pessoal dos últimos seis ou sete anos e por documentários de História da BBC4”. Com que andou, então, Hannon ocupado desde que, em Maio de 2010, publicou Bang Goes The Knighthood? Na verdade, toda uma carreira paralela: com Thomas Walsh, dos irlandeses, Pugwash, inventou The Duckworth Lewis Method, cujo primeiro álbum homónimo (2009) era "a kaleidoscopic musical adventure through the beautiful and rather silly world of cricket”, e o segundo, Sticky Wickets (2013), reinvestia na mesma modalidade; no ano seguinte, dedicou-se à escrita de um musical, Swallows and Amazons, a partir de uma série de romances dos anos 30, de Arthur Ransome; em 2012, sobre os Sevastopol Sketches, de Tolstoy, criou a sua primeira ópera, Sevastopol, e, logo a seguir, In May, teatro-musical de câmara com libreto de Frank Alva Buecheler, sob a forma de 24 canções para a voz de Leentje Van de Cruys, o piano de Fredrik Holm, e as cordas do Ligeti Quartet; por fim, há dois anos, estreou To Our Fathers In Distress, uma peça para o orgão recém-restaurado do Royal Festival Hall, côro e ensemble de cordas, dedicada ao pai, bispo da Church Of Ireland e doente de Alzheimer. “With my background in foolish pop, it's still a surprise and an honour to be asked to do such things”, confessaria ele, na altura. 


A modéstia será genuína mas, por muito ligeiras e irónicas que as canções dos Divine Comedy pareçam, ninguém se atreveria a classificá-las como “foolish pop”. Coisa fácil de compreender, aliás, na recente e assaz reveladora entrevista à Boundless, na qual, sem máscaras, desenha a sua genealogia musical: a Electric Light Orchestra, de Roy Wood e Jeff Lynne (“Goste disso ou não, a ELO é a minha mais profunda influência. Na minha música, podem identificar-se tiques da ELO por todo o lado. Posso estar a pensar nos Walker Brothers mas o que sai é ELO”), Scott Walker e “a lot of French stuff” (“No fim da adolescência, andava obcecado com a pop orquestral dos anos 60 e com as canções francesas. Em grande parte, isso deve-se a Scott Walker e às suas interpretações de Jacques Brel. Era tão brutalmente honesto e poético... claro que daí até Gainsbourg e Piaf foi só um salto. E como tambám gostava de cabaret alemão e bandas sonoras de filmes, tudo acabou por se combinar”), e Michael Nyman (“Quando comecei, era uma epítome do puto indie dos anos 80: antes de mais, era fã absoluto dos R.E.M. e dos Pixies e de alguns 'shoegazers' mais obscuros – Pale Saints, Chapterhouse, Ride... mas, quando vi os filmes do Peter Greenaway, fui completamente abalado pelo modo intenso e punk como o Michael Nyman fazia soar um quarteto de cordas. Afastei-me cada vez mais da ideia do quarteto básico de rock. Por volta do meio dos anos 90, tentei articular um pouco as duas coisas”).


Não é preciso lupa para confirmar que, se não surge, realmente, nada de surpreendentemente novo em Foreverland, os traços essenciais da música dos Divine Comedy mantêm-se intactos. A última meia década terá servido para apurar e decantar o estilo mas quem como o diminuto Hannon seria capaz de desenhar, em cinemascope, um auto-retrato em "Napoleon Complex" (“Who pulls the strings, who makes the deals, stands five foot three in Cuban heels?”), fazer transportar (em portentosa música e vídeo mock-Greenaway) o 1.60m para a corte de Catarina da Rússia e, em 3’12”, incluir aula de História e declaração de amor (com “Ekaterina Alexeyevna” como texto da "bridge") ou criar uma BSO de recorte exótico para potencial thriller em "Desperate Man#? Apenas o mesmo Neil Hannon que deixou "Other People" tal qual a gravara no telemóvel, num quarto de hotel, "a cappella", pronta a deixar-se raptar, em voo orquestral, para um céu de Hollywood.

24 December 2009

O VERDADEIRAMENTE HORRENDO DOS "NOUGHTIES" (II)
(segundo "The Word" mas com aplicação local)



The Da Vinci Code

What's more depressing: the massive, heartbreaking success, the gormless movie or the dismal, soul-rotting, plain bad writing? If Catholicism is a conspiracy you'd have thought they'd suppress it. A great piece from the "Telegraph" on just how bad Dan Brown's writing is here.

Aplicação local: José Rodrigues dos Santos.




Guilty Pleasures

Flogged-flat conceit that gives music of a certain age a chocolate-advert patina of fake ooh-it's-naughtiness. We've even heard ABBA described as a guilty pleasure. To be clear: Sailor, The Carpenters and ELO made good records and that's the end of that.

Aplicação local: rever as páginas do "Público"/"Ípsilon" dos últimos anos.

(2009)