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21 March 2026

Goblin Band: Folk Songs, Roman Ruins and Mudlarking in the City of London

19 March 2026

 
(sequência daqui) "). Daí, resultam maravilhosas recriações como, no álbum de estreia - A Loaf Of Wax (Live From MOTH Club) -, entre muitas outras, a de "The Bitter Withy" acerca de um Menino Jesus assassino a quem a Virgem Msria castiga chicoteando-o com uma chibata de salgueiro. Nada de mais para os Goblins: "A música folk é a nossa história. É a história do nosso país, da nossa terra, das nossas comunidades, de uma forma que está fora dos livros de história. Tudo o que é narrado na música folk é um reflexo de uma história política. As nossas vidas quotidianas estão constantemente ameaçadas pelo que está a acontecer na política. Tem sido assim para as pessoas desde sempre – pessoas queer, pessoas de cor. A ideia de que se pode separar a política do resto da vida é uma ilusão de privilegiados".

17 March 2026

Ashley Hutchings - "Monck's March"
(do álbum Son Of Morris On, na íntegra aqui; ver aqui e aqui)     

16 March 2026

EDUCATIVAS EPIFANIAS


Os goblins são diminutos seres grotescos de bastante mau feitio, habitantes de zonas subterrâneas que terão emergido na cultura popular europeia durante a Idade Média, deixando-se avistar ainda hoje em filmes como Labirinto (1986), Spider Man (2002) ou nos diversos episódios das sagas de Harry Potter e O Senhor Dos Anéis. Deles, a britânica Goblin Band herdou uma certa tendência para o culto da marginalidade deliberada optando por apresentar-se exclusivamente em espaços favoráveis à sua dupla qualidade de jovens músicos folk e cidadãos queer. Alice Beadle (violino e flauta de bisel), Gwena Harman (órgão de fole e bateria), Sonny Brazil (acordeão e concertina) e Rowan Gatherer (sanfona, e flauta de bisel), descobriram-se num percurso que, da música antiga e medieval, passando por John Playford e o Compleat Dancing Master, os conduziria a uma série de educativas epifanias tais que Martin Simpson, a Albion Band, os Watersons ou Martin Carthy (que, fã instantâneo, deles diria “Eles sabem tocar, sabem cantar e são destemidos. Atiram-se a versões que nós éramos demasiado pedantes para tocar e transformam-nas em furiosas desbundas"). (daqui; segue para aqui)
 
Goblin Band perform 15th century folk song 'The Bitter Withy'

23 February 2026

LIMPAR O PÓ AOS ARQUIVOS (CII

 (com a indispensável colaboração do R & R)
 
(clicar na imagem para ampliar; ver e ouvir aqui)

04 February 2026

Sandy Denny & Fotheringay - "Nothing More"/"Gypsy Davy"/"John the Gun"/"Too Much of Nothing"

25 December 2025

 
"Briogais"
 
(sequência daqui) E, em ambos os casos, o trânsito para dentro e para fora da banda (uma dúzia de músicos nos Mànran, 16 nos Fairports) foi intenso. O que, sem insinuar que os 4 primeiros álbuns da banda escocesa se contentaram em navegar por águas tranquilas à espera da inquietação que este To The Wind traria, obriga, porém, a reconhecer que este é o ponto de partida para uma nova etapa na qual o actual septeto Mànran se compraz numa múltipla identidade: sem arriscar gestos estéticos tão extremos como os de John Francis Flynn ou Lankum, mistura no mesmo caldeirão a raiz folk/gaélica e um enérgico virtuosismo pop que, por entre vozes, violino, uilleann pipes, acordeão, guitarra, bateria e baixo, disparam em remoinhos instrumentais e acrobáticos port-a-beul que lançam achas sobre a já imensa fogueira.

19 December 2025

ACHAS SOBRE A IMENSA FOGUEIRA
 

A propósito da publicação de To The Wind, Kim Carnie e Gary Innes confessaram à "Spiral Earth": "Queríamos explorar novos territórios juntos e sentimos que era o momento ideal para nos afastarmos do que as pessoas esperariam de um álbum dos Mànran. Queríamos fazer algo surpreendente, divertido e cheio de energia, algo que quebrasse um pouco as regras. Passaram quatro anos desde o nosso último álbum completo (Ùrar, 2022) e estávamos ansiosos por criar alguma coisa nova. Queríamos ver até onde podíamos ir e ainda assim continuar a soar como nós mesmos. Este álbum está cheio de sons poderosos, contrastes marcantes e reviravoltas inesperadas. Adorámos dar forma a tudo isto”. Nada de extraordinariamente diferente do que aconteceu com os Fairport Convention, modelo supremo de todas as bandas britânicas de folk/folk rock que lhes sucederam. Mas, se a estes bastaram 2 anos,  entre Fairport Convention, 1968, e  Liege & Lief, 1969, para diagnosticar o problema - como enxertar modernidade eléctrica  num organismo velho de séculos?  -  e definir-lhe a terapia, aos escoceses Mànran foram necessários 15. (daqui; segue) 
"Standing Still"

28 September 2025

Poor Creature - "Bury Me Not"

(daqui; álbum All Smiles Tonight, na íntegra, aqui)

26 September 2025

(sequência daqui) Disco 3: É aqui que as canções que conhecemos de Five Leaves Left começam a ganhar forma. Há versões iniciais de "River Man", "Cello Song' e "Fruit Tree", algumas sem os ricos arranjos de cordas de Robert Kirby, outras com afinações diferentes. Até as canções mais conhecidas soam diferentes aqui — menos polidas, mas mais emocionalmente expostas. Testemunhamos a luta entre a visão de Drake e as limitações dos estúdios da época. 

Disco 4: O quarto e último disco é a versão remasterizada do próprio Five Leaves Left. Continua a ser um álbum de estreia notável, repleto de uma beleza melancólica. Canções como "Day Is Done", "Man In A Shed" e "Saturday Sun" não perderam nenhuma da sua força. A própria embalagem é elegante e discreta com aspecto de peça de arquivo, mas que se deixa folhear como um diário antigo, com notas manuscritas e manchas de café. Esta compilação conta uma história sem a explicar demasiado. Em vez disso, convida-nos a aproximar e ouvi-la e a descobrir o génio oculto de um miudo ainda em busca de quem era. Terminaria a jornada em 1974 por suicídio/overdose acidental nunca suficientemente esclarecidos. O produtor de Drake, Joe Boyd, descreveria a gravação de Five Leaves Left como estando repleta de "esperança e possibilidade". O que podemos ainda pressentir hoje encontra-se aqui.

23 September 2025

"Mickey’s Tune" (Cambridge, Lent Term / 1968)

(sequência daqui) O boxset, consiste, então, de três discos de material previamente não editado, nomeadamente demos, primeiras versões de estúdio e raras gravações caseiras. O álbum original, agora remasterizado, mantém a calor e a intimidade da reedição de 2000; e um livro de capa dura com 60 páginas, inclui fotografias e notas sobre as faixas. Detalhando: 

Disco 1: As primeiras sessões de estúdio, realizadas nos estúdios Sound Techniques, em Londres (e religiosamente preservadas durante meio século, numa cassete à guarda de Beverley Martyn), mostram Nick Drake a dar os primeiros passos na definição da sua sonoridade. Versões de "Time Has Told Me" e "Mayfair" surgem em estado bruto. Há também a belíssima "Strange Face", raras vezes escutada fora dos círculos de colecionadores. A técnica de guitarra de Drake é já delicada e segura, mas a voz soa aqui ainda algo hesitante. 

Disco 2: Este disco recupera uma fita de cassete gravada no quarto de Drake em Cambridge. Um dos pontos altos é "Mickey’s Tune", uma peça inédita que revela um lado surpreendentemente optimista e quase pop de Drake. É possível ouvi-lo a falar brevemente antes e depois de algumas das músicas, o que torna estas gravações inesperadamente íntimas. (segue para aqui)

19 September 2025

 
(sequência daqui) Foi pelo final dos anos 80 que a reabilitação da obra de Nick Drake teve início com ponto de partida na retrospectiva de Len Brown no "NME" (1989) que considerava Five Leaves Left"uma obra prima da melancolia britânica". Sucessivamente reinvindicada por inúmeros músicos como fonte de inspiração, este boxset de 4 CD agora publicado - The Making of Five Leaves Left -, leva-nos a mergulhar no mundo criativo inicial de Nick Drake. Oferece uma visão reveladora sobre a forma como o álbum de estreia de Drake de 1969, foi concebido, desde os esboços iniciais e as faixas descartadas até à obra final remasterizada. Descoberto por Ashley Hutchings (Fairport Convention') e contratado pela produtora Witchseason de Joe Boyd, Drake ver-se-ia confinado ao estatuto de "artista folk". Five Leaves Left, gravado com um orçamento mínimo em 1969, contava com a participação de músicos que tinham contribuído para a criação do folk rock. No entanto, o seu era um estilo de folk rock muito diferente, com uma pincelada de jazz. Cantadas em tom semi-sussurrado, as canções eram impulsionadas por aquilo que tinha atraído Boyd para Drake: o estilo de guitarra de afinação aberta, tocado de forma particular. (segue para >aqui)

15 September 2025

MELANCOLIA BRITÂNICA 

Quando, a 3 de Julho de 1969, Five Leaves Left foi publicado, não teve direito a passadeira vermelha nem nada muito próximo disso. Na verdade - sem que sequer a presença dos "Thompson twins" Richard (dos Fairport Convention) e Danny (Pentangle) o pudesse contrariar -, a recepção crítica foi pouco mais do que morna: uma "tonalidade demasiado melancólica e uniforme", uma "atmosfera introspectiva excessivamente obscura e depresiva", e "ausência de dinamismo" foi o que, do "Melody Maker" ao "New Musical Express", ao "Daily Telegraph" e ao "Disc and Music Echo", se opinou, nunca indo além da classificação de "interessante", considerando as canções "incertas e indirectas", e o álbum "melodicamente monótono". Apenas Gordon Coxhill no "NME", admitia que Drake possuía um "considerável talento", mas o disco "carecia de diversidade", e a voz recordava-lhe a de Peter Sarstedt (a "one hit wonder" de "Where Do You Go To My Lovely?" que, em 2007, acabaria por ser ressuscitada por Wes Anderson para os filmes Hotel Chevalier e Darjeeling Limited) mas sem a sedução e profundidade deste. Um pouco mais simpático, porém, do que, parecia ser a opinião corrente na cave do nº 49 da Greek Street londrina onde, de 1964 to 1972, funcionou o clube folk Les Cousins e Drake era "aquele jovem nervoso que punha o público a dormir"... (daqui; segue para aqui)

12 September 2025

"Adieu Lovely Erin"

(sequência daquiComo já acontecera antes com vários elementos de diversas bandas, membros dos Landless e Lankum, convergiram para formar os Poor Creature: Ruth Clinton (ex-membro dos Niamh & Ruth e dos Landless) juntou-se a Cormac MacDiarmada dos Lankum, mais tarde - em consequência de desassossegos pandémicos - passando a trio com John Dermody dos The Jimmy Cake (e baterista em concerto dos Lankum). Com All Smiles Tonight, criaram um álbum cuja particular identidade se constrói em torno da tensão entre sonoridades acústicas e contaminações pós-rock e gentilmente psicadélicas, acomodando drones de cordas (viola de arco e violino) e electrónica. Muito em particular, rebuscada na fertilíssima area vintage à qual Ruth Clinton foi ressuscitar uma "keytar" nascida nos 80s, uma Organetta Hohner que ofereceria o esqueleto primordial de duas ou três faixas, um Otamatone japonês e um vetusto Theremin.