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7.2.22

Erri de Luca (Bebo)




Bevo a chi è di turno, in treno, in ospedale,
cucina, albergo, radio, fonderia,
in mare, su un aereo, in autostrada,
a chi scavalca questa notte senza un saluto,
bevo alla luna prossima, alla ragazza incinta,
a chi fa una promessa, a chi l’ha mantenuta,
a chi ha pagato il conto, a chi lo sta pagando,
a chi non è invitato in nessun posto,
allo straniero che impara l’italiano,
a chi studia la musica, a chi sa ballare il tango,

a chi si è alzato per cedere il posto,
a chi non si può alzare, a chi arrossisce,
a chi legge Dickens, a chi piange al cinema,
a chi protegge i boschi, a chi spegne un incendio,
a chi ha perduto tutto e ricomincia,
all’astemio che fa uno sforzo di condivisione,
a chi è nessuno per la persona amata,
a chi subisce scherzi e per reazione un giorno sarà eroe,
a chi scorda l’offesa, a chi sorride in fotografia,
a chi va a piedi, a chi sa andare scalzo,

a chi restituisce da quello che ha avuto,
a chi non capisce le barzellette,
all’ultimo insulto che sia l’ultimo,
ai pareggi, alle ics della schedina,
a chi fa un passo avanti e così disfa la riga,
a chi vuol farlo e poi non ce la fa,
infine bevo a chi ha diritto a un brindisi stasera
e tra questi non ha trovato il suo.


Erri de Luca

 

 

Bebo a quem está de serviço, de comboio, hospital,
cozinha, hotel, rádio, fábrica,
no mar, avião, auto-estrada,
a quem salta esta noite sem um olá,
bebo à lua próxima, à moça grávida,
a quem faz uma promessa, a quem a mantém,
a quem pagou a conta, a quem está a pagá-la,
a quem não convidam para lado nenhum,
ao estrangeiro que aprende italiano,
a quem estuda música, a quem sabe dançar o tango,

a quem se levanta para ceder o lugar,
a quem não pode levantar-se, a quem se ruboriza,
a quem lê Dickens. a quem chora no cinema,
a quem protege as florestas, a quem apaga um incêndio,
a quem perdeu tudo e recomeça,
ao abstémio que faz um esforço de partilha,
a quem não é ninguém para a pessoa amada,
a quem os outros gozam e, reagindo, um dia será herói,
a quem esquece a ofensa, a quem sorri nas fotos,
a quem anda a pé, a quem sabe andar descalço,

a quem restitui daquilo que recebeu,
a quem não vai em balelas,
ao último insulto que seja mesmo o último,
aos empates, aos xis do totobola,
a quem dá um passo em frente e assim rompe a fila,
a quem o quer dar e depois não consegue,
bebo enfim a quem tem hoje direito a brinde
e não foi até aqui mencionado.


(Trad. A.M.)

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28.8.21

Sophia de Mello Breyner Andresen (Ir beber-te)




Ir beber-te num navio de altos mastros
no alto mar
ó grande noite alucinada
e pura,
brilhante e escura,
bordada de astros. 

Para ti sobe a minha inquietação e sobressalto,
o meu caos, desilusão e agonia,
pois trazes nos teus dedos
a sombra, o silêncio e os segredos,
a perfeição, a pureza e a harmonia.
 

Sophia de Mello Breyner Andresen

 .

26.5.18

Aldo Luis Novelli (Chamada)






CHAMADA



Um pássaro negro, pousado na lua,
chama por mim, na orla do deserto...

Vou beber com ele,
estrelas líquidas,
mulheres impossíveis.


Aldo Luis Novelli



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9.7.16

Roberto Vivas Sanz (Beber-te aos goles)





Bebiéndote a sorbos,
pequeños sorbos…
dilatando el momento,
esperando no termine nunca.

Hace tiempo sentí ese calor mutuo
que poco a poco se fue apagando,
hasta quedar diluido en la monotonía
una monotonía asesina y descafeinada.
Tuve que pasear entre tus lágrimas,
acordándome de la humedad de tus besos
y el calor de tus caricias,
pero ahora ya son tan solo rescoldos muertos y yermos,
de lo que fue un día fuego y pasión.


Roberto Vivas Sanz

[Crepusculario siglo XXI]




Beber-te aos goles,
pequeninos...
esticando o tempo,
para não acabar mais.

Faz tempo que senti esse calor mútuo,
depois apagando-se pouco a pouco
até ficar diluído na monotonia,
uma monotonia assassina e descafeinada.
Tive de errar pelas tuas lágrimas,
lembrando o húmido dos beijos,
o calor das carícias,
agora apenas rescaldo morto e estéril,
do que foi a seu tempo fogo e paixão.


(Trad. A.M.)

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2.2.16

Susana March (Tu)









Tú eres mi sed. Los pájaros, los astros...
¿Qué importa que haya un cielo?
¿Qué importa que te mueras y me muera?
¿Qué importa un Dios eterno?
Amo tu imperfección de barro oscuro,
amo tus ojos serios,
amo tus dulces manos pecadoras,
tu perdurable cuerpo...
¿Qué importa que te mueras y me muera?
Tú eres mi sed, el agua que deseo.
De bruces sobre el cauce impetuoso,
humildemente bebo.


Susana March

[Vol de milana]




Tu és a sede para mim, os pássaros, os astros...
Que importa haver um céu?
Que importa tu morreres ou eu morrer?
Que importa um Deus eterno?
Amo a tua imperfeição de obscuro barro,
amo teus olhos sérios,
amo tuas mãos doces e pecadoras,
teu corpo perdurável...
Que importa tu morreres ou eu morrer?
Tu és a sede para mim, a água que desejo.
De bruços na corrente impetuosa,
humildemente bebo.

(Trad. A.M.)

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20.2.15

María García Zambrano (Versais)





VERSALES



¿Qué harás con esta voz que yo te he dado,
con mi secreto,
con la lengua parida en este instante,
con mi madre y su amor,
con mis poemas?

¿Qué vas a hacer con estas manos
manchadas con la tinta de mi vida?

Te irás como si nada,
lo sé,
viviéndote mi verso en copa de cerveza.
Y pronto olvidarás
que me has bebido.

María García Zambrano



O que farás com esta voz que eu te dei,
com meu segredo,
com a língua parida neste instante,
com minha mãe e seu amor,
com meus poemas?

O que vais fazer com estas mãos
manchadas da tinta da vida minha?

Ir-te-ás como se nada,
bem sei,
vivendo meu verso em copo de cerveja.
E depressa esquecerás
que me bebeste.

(Trad. A.M.)

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5.10.10

Josefa Parra (O excesso)






EL EXCESO




He de beberte a sorbos muy pequeños,
deletrear las frases, hacer alto
después de cada encuentro,
cerrar los libros de las confidencias,
amarte muy despacio, y distanciando
los besos como islas.


Josefa Parra Ramos



[Noctambulario]






Hei-de beber-te com goles pequeninos,
soletrar as frases, fazer alto
depois de cada encontro,
fechar os livros das confidências,
amar-te devagarinho, distanciando
os beijos como ilhas.


(Trad. A.M.)

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11.12.07

Gabriela Moura (Bebe tu de mim)















BEBE TU DE MIM






Um desejo imenso
que me tomes nos teus braços
e me arrastes para um canto
onde o vermelho da paixão se confunda
com os contornos do meu rosto.
Arrasta-me até onde o sol se põe
e descobre no cume do meu ventre
todas as delícias que
um dia
eu guardei só para ti.


Ah! Apenas um desejo me consome.


Um desejo imenso
que arrastes este corpo abandonado que sou
e estendas nele o teu sorriso
até que ele ávido e doce me toque
e tal como a abelha sorve o néctar da flor
bebe tu de mim
o que em mim resta de um abraço.


Gabriela Moura

[Corte na Aldeia}

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27.9.07

Luis Alberto de Cuenca (Bebe-a)





BÉBETELA



Dile cosas bonitas a tu novia:
«Tienes un cuerpo de reloj de arena
y un alma de película de Hawks».
Díselo muy bajito, con tus labios
pegados a su oreja, sin que nadie
pueda escuchar lo que le estás diciendo
(a saber, que sus piernas son cohetes
dirigidos al centro de la tierra,
o que sus senos son la madriguera
de un cangrejo de mar, o que su espalda
es plata viva). Y cuando se lo crea
y comience a licuarse entre tus brazos,
no dudes ni un segundo:
bébetela.


Luis Alberto de Cuenca






Diz coisas lindas à tua amada:
“O teu corpo é como uma ampulheta
e a alma um filme de Hawks”.
Diz-lho baixinho, chegando-lhe os lábios
ao ouvido, sem que ninguém
possa ouvir o que lhe dizes
(a saber, que suas pernas são foguetes
dirigidos ao centro da terra,
ou que os seios são a morada
de um caranguejo marinho, ou que
as costas são como prata viva).
E quando ela acreditar
e começar a derreter-se nos teus braços,
não hesites nem um segundo:
bebe-a.


(Trad. A.M.)




Fontes: A-media-voz (bio+43p) / Instituto Cervantes (autor+textos+videoteca) / Poesia-inter (foto+32p)

25.12.05

Eugénio de Andrade (A boca)




A BOCA



A boca,
onde o fogo
de um verão
muito antigo cintila,
a boca espera
(que pode uma boca esperar senão outra boca?)
espera o ardor do vento
para ser ave e cantar.


Levar-te à boca,
beber a água mais funda do teu ser
se a luz é tanta,
como se pode morrer?


Eugénio de Andrade


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