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7.11.20

Javier Lasheras (Ternura)



TERNURA




Dame la mano, vuelve a la cama
haz de estas sábanas polvo estelar
y con savia y saliva mójalo todo.

Márcame la piel con tu aliento
no abandones, no seas invisible
y devórame hasta el ocaso.

Maldita sea, dame la mano
o nos crecerán muñones
donde debiera anidar ternura.


Javier Lasheras

[Apología de la luz]

 

 

Dá-me a tua mão, volta para a cama,
faz dos lençóis pó de estrelas,
inunda tudo de seiva e saliva.

Marca-me a pele com teu hálito,
não fujas, nem te faças invisível,
devora-me até ao ocaso.

Maldita, dá-me a tua mão
ou hão-de nascer-nos cotos
onde devia aninhar-se a ternura.


(Trad. A.M.)

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30.12.18

Javier Lasheras (Sem língua)






SIN IDIOMA



Fuera mentira
esta querencia por ti,
fuera todo un engaño
y en mi garganta
aniden para siempre
larvas de silencio,
que pierda el idioma
para que nunca más
pueda hablar de amor.
Que nunca te dije te quiero
si no era porque te amaba.

Javier Lasheras




Fora mentira
esta querença por ti,
fora tudo só ilusão,
que larvas de silêncio
me fizessem ninho
na garganta,
que me caísse a língua
para não poder mais
dizer a palavra amor.
Que eu nunca disse que te queria
senão porque te amava.

(Trad. A.M.)


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19.6.17

Javier Lasheras (Um postal para o futuro)





UNA POSTAL PARA EL FUTURO



Si algún día inevitablemente
o si alguna noche por casualidad
nos encontráramos, seré salvaje
y a dentelladas te probaré
por todas partes.

¿En qué ávido animal me has convertido!


Javier Lasheras






Se um dia sem remédio
ou uma noite por acaso
tropeçarmos um no outro,
vou-me fazer selvagem
e às dentadas hei-de
morder-te por todo o lado.

Que ávido animal de mim fizeste!



(Trad. A.M.)

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28.1.15

Javier Lasheras (A paz definitiva do nada)





LA PAZ DEFINITIVA DE LA NADA



Si algún día fuiste mía y compartimos
el significado de esa extraña palabra
llamada ilusión, si en algún momento
tus sonrisas y cuidados fueron sólo para mí
o, también, si alguna vez dijimos al tiempo
la palabra futuro. Si alguna vez, escúchame,
mi querida perra, nuestra cama fue el abrazo
más insumiso y animal de la creación,
y tu cuerpo el candil que me daba fuego
ahora, de todo eso, de los besos de nube,
de las miradas precisas o los abrazos interminables,
de todo esto, ya no queda nada. Nada.
Ni tan siquiera odio o rabia, ni una maldita lágrima,
ni noches temibles ni mortecina nostalgia.
Ven conmigo un sólo instante y observa,
porque este animal torpe viejo cansado y sin memoria
se despide de ti para iniciar el rito sagrado
de enterrar esta historia, para buscar el sendero
de luz que con la más abyecta cobardía apagamos.
Ya nada puedo ofrecerte, no me queda ternura
ni piedad ni mano que tenderte. Mira perra,
mi dulce y vieja perra, mira cómo arde esta montaña
de versos que jamás debieron ser escritos,
mira este inmenso fuego porque de sus cenizas
tendremos la paz definitiva de la nada.

Pero ni el fuego, recuerda, borrará tus manos de mi cuerpo.

Javier Lasheras



Se algum dia foste minha e partilhámos
o significado dessa palavra estranha
chamada ilusão, se em algum momento
teus cuidados e sorrisos foram só para mim
ou, ainda, se algum dia dissemos ao tempo
a palavra futuro. Se alguma vez, ouve,
minha cachorra, a nossa cama foi o abraço
mais insubmisso e animal da criação,
e teu corpo o candil que me alumiava,
hoje, de tudo isso, dos beijos de nuvem,
dos olhares determinados ou dos abraços intermináveis,
de tudo isso, não resta nada. Nada.
Nem sequer ódio ou raiva, nem uma maldita lágrima,
nem noites terríveis, nem apagada tristeza.
Anda comigo um instante só e observa,
porque este animal canhestro, velho, cansado e sem memória
vai despedir-se de ti e começar o rito sagrado
de enterrar esta história, para buscar o caminho
de luz que apagámos na mais abjecta cobardia.
Nada posso já oferecer-te, não me resta ternura,
nem piedade, nem uma mão para te estender. Olha, cachorra,
minha doce e velha cachorra, olha como arde este monte
de versos que eu nunca devia ter escrito,
olha esta fogueira imensa porque de suas cinzas
teremos a paz definitiva do nada.

Mas nem o fogo, lembra-te, apagará tuas mãos do meu corpo.

(Trad. A.M.)

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1.9.13

Javier Lasheras (Súplica)





PLEGARIA



No te vuelvas loca,
no regreses, ni se te ocurra
y por lo que más quieras
suplica el olvido,
reza o invoca al diablo
si te hace falta.
Haz cualquier cosa
pero no vuelvas
porque si no, algún día,
sin aviso, nos cubrirá
el odio más exacto y claro
que jamás hayas visto.
Así es mejor, perra mía,
así es mejor.


Javier Lasheras




Não sejas louca,
não voltes, nem penses
e por quem és
suplica o esquecimento,
pede ajuda ao diabo
se preciso for.
Faz tudo e mais alguma coisa
mas não voltes
porque senão, um dia,
sem aviso, vai-nos cobrir
o ódio mais exacto e claro
que alguma vez viste.
É melhor assim, cachorra,
é melhor assim.

(Trad. A.M.)

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20.8.13

Javier Lasheras (Aviso à navegação)





AVISO PARA NAVEGANTES



Que sepan también
quienes, con la venda en los ojos,
confunden el amor con una mirada
de amistad y caricias de cama,
que a cambio de esta afrenta
obtendrán mil veces multiplicada
la ira de todos los amantes.
El amor nunca transita
los caminos de lo posible.

Javier Lasheras



Quem, de venda nos olhos,
confunde o amor com um olhar
de amizade e carícias de cama,
saiba que em paga da afronta
receberá multiplicada por mil
a ira dos amantes.
O amor nunca anda
pelos caminhos do possível.

(Trad. A.M.)




>>  Portal de poesia (40p) / Javier Lasheras (blogue) / Poetas sigl.XXI (6p)

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